sábado, 22 de janeiro de 2011

A Espera da Vida



As pessoas vivem esperando por oportunidades, esperando a hora certa pra dizer sim, esperando o acaso unir o útil ao agradável e de repente quando a oportunidade surge elas simplesmente inventam uma desculpa para não se arriscar e preferem à espera ao sonho.

Esperam que o mundo seja um lugar melhor, que haja menos lixo nas calçadas, que haja menos homicídios nas cidades, que haja mais segurança pelas ruas, que haja mais justiça, e quando teem o poder de mudar quem nos governa vendem esta chance por alguns trocados, quando podem protestar pelo que acham justo simplesmente se acovardam e fingem estar tudo bem.

As pessoas esperam uma eternidade pra gastarem o dinheiro que demoraram uma eternidade para juntar, esperam a oportunidade que nunca chega para darem um salto maior na vida, as pessoas esperam ser reconhecidas mesmo sem serem notadas, e quando são, acham que não capazes, que não estão preparadas.

Esperam mudar mesmo vivendo do mesmo modo, esperam ganhar a luta mesmo estando distante da briga, esperam subir no pódio, mas não se inscrevem para competir. As pessoas esperam ser suficientes para si, para os outros, para o mundo.

O mundo espera que as pessoas mudem, que as pessoas reconheçam seus erros, que não pensem apenas em si, que parem de poluir, que parem de invadir, que parem de devastar, que parem de matar.

As pessoas esperam que o mundo mude sem que elas mudem, esperam que em um passe de mágica o mundo deixe de mostrar os meninos de rua, a poluição, os mendigos, a corrupção, as tragédias, isso enquanto elas se trancam em seus quartos assistindo o noticiário e se perguntando por que o mundo é assim.

As pessoas esperam pelo amor, pela alma gêmea que faça acelerar seu coração, pela paixão ardente que chega a sufocar, e quando isto acontece recuam, fingem não notar o que passaram a vida esperando, por medo do amor, da dor, talvez medo do sabor de não ter mais o que esperar.

As pessoas não aproveitam a oportunidade de apreciar suas conquistas e sempre procuram algo que as faça esperar e passam a vida assim, a esperar, a esperar...

“É preciso Saber Viver.”
Roberto Carlos.



Bons Ventos!!
Tchau.


Zélio Marulo Jr.









terça-feira, 18 de janeiro de 2011

RIOS.O.S


Quando a natureza resolve dar o troco de todo castigo que já sofreu, por toda parte que já foi destruída, por toda a sua área que já foi desmatada, por toda a degradação que vem sofrendo, não nos resta muito a fazer, se não rezar.

O “servo” que toda vida nos serviu resolveu de uma hora pra outra nos punir, punir as pessoas e suas construções, suas obras que tanto orgulha os homens, punir por suas invasões, por sua despreocupação, por seu descaso...  justo com ela, a natureza.

E nesta grande devastidão, hoje o rio sofre o pior das iras. Embaixo d’água homens procuram viver, em cima da lama homens procuram sobreviventes, pessoas que passaram a vida pra conquistar um pouco, perdem tudo. Meninos que tinham a vida pela frente perdem os sonhos.

Mães que perderam seus filhos, filhos que não encontram seus pais, o Rio sofre com a cheia de seus rios, crianças choram a perda de seus parentes, choram o gosto da solidão.

Um triste fim para pessoas que talvez não tiveram a oportunidade de um começo, um triste começo para quem pretendia ter um outro fim. Um novo início pra quem não optou em recomeçar, o fim de tudo que foi inicia um começo do que agora vai ser.

Pessoas que se unem pela sobrevivência na luta contra um inimigo que só se vence pelo tempo, um inimigo que outrora era nosso aliado, um inimigo que após a tempestade nunca será esquecido, e não importa se um dia virmos um belo pôr-do-sol, estes dias nunca serão esquecidos.

O Brasil hoje chora por pessoas desconhecidas, por mães que não são nossas, por filhos de pais que não conhecemos, por irmãos que não temos, por órfãos, por idosos, pelo povo dessa cidade conhecida por suas belas praias e que hoje sofrem a perda de tudo aquilo pelo qual passaram a vida lutando... suas famílias, suas casas, seus amigos.

Vamos orar para que chegue um novo amanhecer trazendo consigo toda força disfarçando o desespero, toda esperança ocultado a dor, toda a alegria escondendo as lágrimas, e que acima de tudo traga todo o amor, tapando assim qualquer vazio.


Bons Ventos! Rio.
Muita Paz e Muita Luz.

Zélio Marulo Jr.





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Procuram-se Pais.



Há muito tempo eles já estão largados pelas calçadas, sendo escravizados pelos sinais,
sobreviventes do lixo, com fome, sem nome.

O futuro do país cheirando a cola e você se perguntando por que eles não somem e eles
perguntando por que tanto egoísmo.

Vilões que não roubam bancos, não usam armas, não teem opção, não teem futuro, não optam apenas relevam, relevam a dor, relevam os maus tratos, relevam o próprio ser.

Munidos de todo rancor caminham pelas cidades atrás do cheiro agradável do pão, atrás
do sorriso doce de outra criança, atrás da felicidade que sempre teima em fugir.

Encostados nas paredes se tornam a paisagem suja da cidade, a paisagem que ninguém quer ver, o quadro negro que ninguém quer pintar, vieram do submundo direto para seu mundo e você finge não notar.

Filhos de quem? Da fome? Da sede? Da dor? Da ignorância? NÃO!!
São filhos da conivência de homens bons e da crueldade de homens maus.

São crianças que vivem a maturidade antes mesmo de chegarem à adolescência, são retratos falado de um sofrimento mudo¹, são adultos em corpos de crianças respirando desprezo e esperança.

É uma pena que de crianças inocentes com fome passarão a adolescentes delinquentes , adultos criminosos, até que enfim, chegam a velhos mendigos. Isto, se ainda estiverem vivos.

E isto continuará até o dia em que finalmente poderemos celebrar o ano novo em um mundo realmente novo.

¹ Trecho da música “quem me dera” da banda Circuladô de Fulô.


Zélio Marulo Jr.

Bons Ventos!
Tchau!

 
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