domingo, 24 de outubro de 2010

Triste Nação!!

O mundo que não colhe a sabedoria da arte
É tolo, é frágil, medíocre.
A guerra pela paz sangra famílias
Mata filhos, netos, amigos.
Uma nação que não anda de mãos dadas
Ecoa o sentimento do ódio, da revolta, do rancor.

Lutar pelo bem carregado de ódio,
É levar munição para o inimigo.
Injustiçados que não veem o pôr-do-sol
Ocupam o lugar dos vilões de gravata.

No mundo de rebeliões por nada
O que se deve ser feito foi esquecido.
Braços cruzados de uma população que só reivindica seus direitos em pensamento.
Enjaulados em seu próprio lar,
Com medo da polícia, da rua, de tudo.

Não ter aonde ir quando se quer ir a qualquer lugar,
Não ter medo do que parece inofensivo,
Criamos a imagem daquilo que não vemos,
Tentando fugir de algo que não sabemos.

A luta do silêncio vivo, contra a palavra de quem ta morto.
Ninguém escapa, ninguém escolhe, ninguém almeja.
A diferença entre prática e noção é o pavio curto de quem puxa o gatilho.

Já não bastam palavras, já não bastam canções.
O homem enraizado a ser subjugado, a ser traído,
a ser cúmplice do que não quer ser.
Violentada e ferida, uma nação sem escolha.

Entre becos, pelas ruas, nas estradas,
Escravos da pobreza que mata, bandidos da fome,
Crianças que já nascem sem nome e viram homens sem lei.

Viver no limite do mundo, cegos, surdos e mudos.
Obrigados a ser aquilo que não são.
Triste mundo. Triste nação.

Não somos mais, nem tão pouco menos,
Somos iguais... Diferentes cores, raças e classes,
E quem reluta em acreditar nisto está a um passo do abismo da própria solidão.

Bons Ventos!!
Tchau.

Zélio Marulo Jr.

"Eu não sei muita coisa, mas tenho a meu favor tudo aquilo que não sei"
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lembre-me de Esquecer.

Lembre-me de esquecer as dores, os dissabores, tudo aquilo que não posso mudar, tudo aquilo que não está no meu controle, esqueça de me lembrar daquilo que não quero recordar.

Diga-me para não dizer aquilo que sempre acho para não machucar a quem possa ouvir, para não desperdiçar a hora de calar, para que não faça como os demais em momentos de raiva, lembre-me de não dizer aquilo que não quero falar.

Pause-me, quando pretender ir sem pensar, para não perder tempo em caminhos que eu queira retornar, para não avançar quando for hora de parar, pause-me quando só enxergar horizontes em minha frente e não um lugar para chegar, pause-me quando em minha cabeça e em minhas pernas não existirem mais freios.

Cale-me quando não for oportuno que me manifeste, quando o silêncio for mais precioso que as palavras, cale-me para que não volte a dizer algo que perturbe a paz, cale-me quando tudo que tenha a dizer não seja necessário.

Abrace-me quando em meus dias de fúria eu queira fugir, incentive-me quando não achar mais forças para prosseguir, deixe-me quando eu mais precisar da solidão, impeça-me de fazer coisas que não poderei corrigir, perdoe-me quando te ferir, porque com certeza não terá sido essa minha intenção.

Mas, acima de tudo, me ame quando eu achar que já não exista prazer em viver!!


Zélio Marulo Jr.


Bons Ventos!!
Tchau!!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Triste é o Fim.

Estou tão velho e cansado, meus anos de glória já passaram, hoje emperrado nesta cadeira velha que balança com a força do vento, sou espectador e só vejo o tempo passar.

Não tenho mais o vigor físico que costumava ter, não sou tão ágil como antigamente, sinto dores nas costas quando respiro e ninguém, ninguém se interessa pelo que penso.

É triste, não sinto mais prazeres sexuais, preciso de ajuda para fazer minhas necessidades básicas, não entendo as gírias que meus netos falam e não sei o porquê de ainda estar neste mundo.

Não tenho o amor em viver que tinha antes, parece que voltei a ser criança, não consigo mais ler, meus olhos não enxergam mais as letras,não tomo banho sozinho, não como sozinho, agora sou assim, um bebê de 85 anos.

Tudo que fiz, todos que ajudei a chegarem onde estão, todos que impedi de prosseguirem, os obstáculos que enfrentei, os obstáculos que criei para outros não prosseguirem, nada, nada foi capaz de me livrar deste fim.

Sem o amor de quem amei, sem a ajuda de quem eu ajudei, sem as barreiras de quem eu impedi, sem o afeto de quem eu gostei e sem os sonhos, sem os sonhos que um dia tive.

Vivo sem esperar o dia de amanhã, sem a preocupação dos filhos que um dia criei, com o abandono dos netos que um dia estiveram ao meu lado, sem visitas de primos, irmãos e familiares que talvez de mim não se recordem, abandonado aqui neste lugar.

A vida passou, eu nem percebi, não sei se ainda sou, talvez nem seja mais, talvez o pior não seja estar aqui, não sei o que espera por mim, vou vivendo e acreditando que nada pode ser pior que este triste fim que vivi.

Zélio Marulo.

Bons Ventos!!
Tchau!

"Respeitar o idoso é preservar a si mesmo
Quem desrespeita o idoso
crava estupidamente um espinho no coração do próprio destino..."

ULISSES de ABREU

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Herdeiros Sem Culpa

E eu, diante de tudo que os passei, diante das lutas que travei,
Entre confusões que arrumei, os acordos e desacordos que fiz,
O que ainda sou?

Diante deste mundo que não me quer ouvir, entre as pessoas que passam por mim,
Com as idéias que tive e as idéias que tiveram por aí, depois de tudo,
O que o mundo mudou?

Diante de um mar de sangue, perante as famílias que moram nas ruas,
Milhares de órfãos de si próprios, entre refeições cada vez mais escassas,
Como tudo isso começou?

E eu, entre ruas e ladeiras que percorri, entre becos e favelas que vivi,
Nas lagoas e nos rios em que nadei...
O que ser, quando o destino já traçou um futuro pra mim?

E eu, o que fazer quando não há nada a ser feito, quando as estradas tiverem um fim,
De Quando já não houver saudades de mim, quando já não há mais saída,
E isso como chegou a ser assim?

Diante de pais que não vivem, diante de filhos que não nascem,
Duelo de famílias e rivais, com conflitos que nunca cessam,
Como e onde isso vai parar?

Diante do desemprego, perante lágrimas que escorrem dos olhos de quem está perdido,
Entre as várias direções que não podemos ir,
O que sobrará no final?

Diante do sofrimento, depois de tanta dor, diante de promessas que nunca param,
Ao lado de mentiras que nos encorajam, entre roubos, estupros e mortes,
Diante de tanta impunidade...
Contra o quê devo duelar?

E eu, diante do mundo, eu que acreditei, que não quis aceitar,
Diante disto tudo, além de tudo que ainda está por vir, me vi padecer.

E hoje vejo que nada sou, perante ao tudo que não vale nada,
E o nada que sou, ainda assim, cambaleado de tanta dor,
Pode sim lutar e fazer com que o tudo deixe de não valer nada!


Bons Ventos!
Tchau!

Autor: Zélio Marulo Jr.

“É melhor queimar do que se apagar aos poucos”
Kurt Cobain.
 
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