terça-feira, 21 de junho de 2011

É injusto ser Justo?



Falar sempre foi a maneira mais fácil de expressar o não contentamento com algo que acontece em nosso bairro, cidade, estado, país e etc., mas o difícil mesmo é agir. E quando agimos será que somos justos nas decisões, será que usamos sempre a forma correta de ação? Será que nossa justiça injusta afeta o modo como agimos? Pode ser, talvez, não sei.

É justo que um Deputado mate duas pessoas em um acidente de trânsito onde ele estava embriagado e em alta velocidade e após dois anos ainda esteja em liberdade?

É justo que crianças passem fome nas ruas enquanto seu filho só come se for no Mcdonalds?

É justo que um vereador ganhe um salário (bruto) acima dos R$ 6.000,00 enquanto um professor tenha um piso salarial abaixo de R$ 2.000,00?

É justo que crianças da rede pública de ensino não tenham o que comer na merenda por políticos e suas esposas desviarem mais de R$ 8 milhões do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)?

É justo que mendigos sejam queimados e mortos nas ruas por seus filhos estarem entediados e querendo transformar a vida em um vídeo-game?

É justo que pessoas recebam cotas para ingressarem nas faculdades e concursos por serem negros, brancos, pardos, índios, albinos, mulatos, amarelos ou azuis...?

É justo que um trabalhador receba um salário mínimo trabalhando oito horas por dia, sete dias por semana, enquanto um médico que não tira seu plantão e ainda assim receba R$ 14 mil pelo serviço não prestado?

É justo que soltem o homem que matou a sua filha, mas prendam o pai dela por tentar fazer justiça com as próprias mãos?

É justo que pagamos para alimentar os criminosos que estão nas cadeias?

É justo que políticos votem em aumentar seu próprio salário, enquanto milhões de brasileiros vivem com renda mensal de menos de R$ 40,00?

É justo ter uma justiça cega para os ricos e “altamente eficaz” para os pobres?

É justo ver seu parente, amigo, filho... Morrer em frente ao hospital por não haver médicos para atendê-lo?

Enquanto vivermos neste mundo de comodismo, de só enxergar as coisas quando elas te afetam, de sentar na frente da Tv e assistir Eliana, de não se importar com os outros, muita coisa vai mudar...só que pra pior!

Se é justo ou injusto vai depender dos olhos de quem vê, de quem lucra ou sofre com tudo isto. Só sei que é foda parceiro.



"Nada é tão ruim que não possa piorar"
Lei de Murphy 

Zélio Marulo Jr.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Enquanto ainda vivo.




Há dor em saber que não existe paz, que nossas crianças terão um futuro que talvez não queiramos, há dor na despedida de pessoas mortas com balas perdidas, há dor em crianças abusadas sexualmente, há dor no preconceito contra homossexuais, contra negros, contra nordestinos, contra os pobres, há dor em viver.

Há dor nas promessas políticas não cumpridas, há dor nos transportes coletivos, na falta de respeito aos idosos, há dor na saúde, na educação, na segurança pública, há dor nas tentativas de protesto, nas greves, há dor por bem ou por mal.

Há dor nas escolas, na má formação dos professores, dos alunos, na falta de estrutura das escolas públicas, há dor nos salários dos professores, na merenda escolar, há dor na falta de incentivo à cultura, há dor no abandono dos pais, há dor em aprender.

Há dor em nossas estradas, em nossa cidade, em nosso bairro, na nossa vizinhança, há dor em nossas casas, há dor ao sair, ao chegar, há dor sem ter razão, há dor sem um porque, há porquês sem ter razão. Há dor.

Há dor com quem convivo, há dor mesmo quando nego, há dor sem ser ouvido, há dor enquanto relevo, há dor em outros que divido, há dor em mim que guardo, há dor em tudo que vivo, que olho... Há dor em nós que não que ir.

Há dor em ver os mendigos nas ruas, em ver crianças cheirando cola, há dor no desprezo da sociedade, na falta de preocupação do governo, há dor em baixo da ponte, em bancos da praça, à beira dos rios, em cima das marés, há dor às margens da população.

Há dor no que digo, no que penso, no que ouço, no que prometo, no que duvido, no que tolero, no que finjo não ver, no que vejo sem enxergar, há dor, muita dor, dor que não cansa de crescer, dor que não quer parar.

Somos criadores, telespectadores, transmissores, inovadores, vítimas, receptores, influenciadores, distribuidores dessa dor que nos atormenta, mas que é facilmente esquecida à frente da televisão, nos botecos, nos shoppings... Até um dia em que essa dor não poderá ser mais curada.



"Enquanto houver dor no mundo não poderei ter a minha consciência tranquila" 
Chico Xavier


Grande Abraço.
Bons Ventos!!

Zélio Marulo Jr.



 
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