sábado, 18 de dezembro de 2010

Pré-Estréia do Fim.



Tenho medo do futuro, do que restará para os meus filhos, a herança da ganância e do consumo que cultivamos.

Tenho medo das pessoas, do que elas poderão fazer para crescerem, para não ficarem para trás, tenho medo da inveja que carregam em seus corações, da paz sem voz que cala nossa sociedade.

Tenho medo de nossas escolhas que a cada dia que passa parecem menos sensatas, tenho medo das escolhas de nossos líderes que são trocadas por pão e janta na mesa.

Tenho medo dos homens de gravata que governam nosso país, tenho medo dos coronéis que comandam os homens de gravata que comandam o nosso país, tenho medo de um dia acordar e não poder ser mais feliz.

Tenho medo de não termos cultura, de apenas sermos vistos como carnaval, de não enxergarmos que estamos perdendo nossa essência, de cultuarmos apenas aquilo que a mídia nos “impõe” como nosso.

Tenho medo do preconceito e do pré-conceito, da educação suja que muitos dão aos seus filhos, tenho medo da raiva que os encoraja a maltratar, a agredir quem for diferente, seja lá sua cor, raça, sexo ou credo.

Tenho medo de não gostar mais e viver em um mundo que não abre as portas para quem precisa, que não estende a mão para levantar quem está caído, que não ajuda ninguém se não for em benefício próprio.

Tenho medo dos amores que matam, das dores que sufocam, tenho medo dos momentos de hesitação que antecedem os momentos de excitação, tenho medo de não saber aonde ir quando existir dois lados a seguir, tenho medo do tempo e o que ele guardará para mim.

Tenho medo de calar sem ser ouvido, de ser ouvido sem protesto, tenho medo do fim que justificam os meios. Tenho medo do mundo que há muito tempo atrás tem medo de mim.

Tenho medo de não mais existir amor, e se este dia chegar, espero que também seja o meu fim.


Grande Abraço.
Bons Ventos!!


Zélio Marulo Jr.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DESTINO (IN)CERTO



Sou abandonado, sou agredido, sou abusado, sou molestado.
Às vezes não nasço e quando nasço sou jogado no lixo, deixado em alguma porta
e você me vê e nem nota.

Não tenho João, não tenho Maria, não tenho Francisco e nem Margaridas,
Sou filho das ruas, da fome e do rancor.
E você me nota e nem se preocupa.

Não tenho ídolos, não tenho em quem me espelhar
Sou forçado a agredir e tento não chorar,
Sou refém da fome, da sede, sem lugar pra morar.
E você se preocupa e nada faz pra ajudar.

Quando cresço viro o que der pra virar, peço esmolas, mas ninguém quer me dar,
Tento viver, mas acho que o mundo não é o meu lugar.
Às vezes acho melhor me deixar cair, penso até em me matar.
Pra muitos sou bandido, mas sou apenas um menino com vontade de brincar
Não tenho brinquedos nem amigos, sou sozinho em um mundo vazio sem amor para dar.
Aí você me ajuda então volto a sonhar.

Mendigando carinhos, sem escola pra estudar,
peço a Deus do céu que me tire deste lugar
aprendi a me esconder, aprendi a me esquivar,
sou filho da noite sem cama pra deitar,
e os meus sonhos não tem ninguém pra apoiar.

Cresço triste, com raiva, aprendo a roubar, roubo tudo aquilo que não posso comprar,
Perco o medo, a fé, o sonhos, não quero nada que o dinheiro não possa me dar.
Viro bandido! E aí você começa a me notar.

Vendo drogas, tenho armas, meto medo e mato quem me desrespeitar.
Sou dono do morro, sou delegado da vida, sou pesadelo de quem ousa me enfrentar.
E você que antes não me notava, hoje reza pra não me encontrar.

Sou foragido da lei em uma terra sem leis pra me julgar,
Sou destemido, sou cruel, tenho o mundo em minhas mãos,
Nunca precisei de caneta e nem papel, sou espelho do que me cercou,
Sou fruto do seu desamor.

Cheguei no que acho ser meu fim, atrás de grades, ferido sem lugar pra ir,
Penso no que fiz e no que não fizeram por mim, não tive infância feliz, nem final feliz,
Preso ou morto este é o meu fim.

E muitos de mim ainda virão por aí,e você que acha que esta tudo bem é cego e não vê,
Quando acordar vai ser tarde pra aprender, aprender que criança não escolhe nascer,
Crianças não nascem para ser bandidos, crianças são reflexos de nossas atitudes.

E Você, o que vai fazer??

sábado, 4 de dezembro de 2010

Apenas o que Sou!



Caminhando sozinho á procura do que sou, acho verbos que me definem em frases, acho vírgulas que me pausam e então regresso...

Volto pela linha que me decifra, participo do versículo que não me muda, entre vírgulas aposto que me atenuam os erros. Exclamados pela natureza das dores de vocativos pouco amigáveis me chamam, me apontam como ponto, mas não paro por aqui.

Sigo em frente, sou expressão de quem se ama, a sílaba rouca do desafino, o grito de revolta de quem não sabe como lutar, a nota perdida da música, sou o tudo e ao mesmo tempo o nada.

Alcançam-me as aspas e logo digo: “Só sei que nada sei” e assim elas se vão, procuro adjetivos que me definam, procuro verbos que não me conjuguem... pois nada fiz. Procuro a crase que possa abrir a porta para corrigir meus erros.

Às vezes penso no que sou: um ser como qualquer outro, mas com motivos para ser desigual, o guerreiro da busca que nunca acaba, o sopro de alívio de quem achou estar perdido.

Prefiro a dúvida à incerteza de tantas certezas, os ventos que decidam aonde vou, palavras antes perdidas hoje formam o que sou.

Não sigo setas, não ando em círculos, nem todavia nem rua, contudo sou o que me expresso, vivo o que falo, sou objeto...objeto direto do que me cerca, sou complemento do nome, sou nominal, às vezes um pouco verbal.

Sou a interrogação de quem lê, sou os olhos de quem vê, o silêncio da resposta, sou partes que me completam.

Sei bem mais o que não sou e sabendo o que não sou posso ser exatamente o que quero, sou a sobra do que não sou, eu sou apenas aquilo que sou.

Bons Ventos!!
Tchau!!

Zélio Marulo jr.


Não esqueça, de votar no INOPORTUNO para o PRÊMIO ALAGOANO DE BLOGS.

Basta clicar AQUI  e depois é só dar um click no CORAÇÃO!!




 
Copyright © 2013 INOPORTUNO